Sinal fechado e outras interrogações

Por Joãozinho Falassério

Prestação de serviço: o Jornal do ônibus gentilmente nos informa que se inverteu a razão entre verde e vermelho do  semáforo de pedestres. Segundo o Programa de proteção ao pedestre, antes o bonequinho ficava verde por 10 segundos e por 5 vermelho piscando, agora são 5 verde e 10 vermelho piscando. Continuam 15 segundos no total, continuamos só podendo atravessar quando verde e entre apreensivos e apressados quando vermelho. Mudou: menos cinco segundos de sinal verde e mais cinco de vermelho piscando, “para conforto e segurança” do pedestre, diz o jornal.

Ainda não descobri a ultima ratio que forjou o tal gesto do pedestre, gesto em que o pedestre avisa que vai atravessar na faixa de segurança para pedestres. O fato é que este gesto emancipatório funciona – na Gualberto, na Corifeu ainda não recomendo – graças a ajuda de dois gentis quebra-molas. Os motoristas da Corifeu também reciclaram um gesto para nós pedestres, o gesto indica que eles, motoristas, vão atravessar a faixa de segurança para pedestres – o gesto consiste em mostrar quem é o pai de todos. Enfim, ainda não descobri qual a razão do gesto (suspeito de algo envolvendo Serra e Rodas, mas nada fundado…), mas o estado já nos brinda com uma propaganda que nos informa a diminuição em 8% de atropelamentos de pedestres que atravessavam na faixa de segurança para pedestres. Agora podemos parar o trânsito com um gesto outro que nosso atropelamento! – na Gualberto e graças aos quebra-molas.

Esta sexta fechou-se o XV Encontro de pesquisa na graduação, ótima ocasião pra quem, como eu, queria sair do departamento sem sair dele (muito trânsito lá fora). Apresentações entre entediantes (como a minha) e performáticas, gente de todo lugar, cafezinho e biscoito fino: uma beleza! Um rapaz que apresentou logo após minha participação disse: “peço desculpas, pois não consegui imprimir meu texto, mas como fui eu que escrevi acho que a apresentação será boa”, isso segundos depois de minha apresentação em que li mal e porcamente de cabo a rabo com direito a mãos trêmulas e engasgadas recorrentes. De fato, o rapaz falou e falou muito bem. Sem entrar em questões de mérito, é paranoia minha ou as pessoas de fora apresentam mais articulada e claramente que nós?

Ao hábito de falar por escrito some-se o de escrever pouco. No pior dos casos (sempre no meu), são duas disciplinas, um trabalho de cinco páginas pra cada, 25 linhas pra cada página, salvo provável engano matemático: são 250 linhas publicadas por semestre. A professora e modelo de prosa Jeanne Marie Gagnebin, da PUC, recomenda aos alunos com dificuldade na escrita que escrevam 10 linhas de qualquer coisa por dia. Um semestre letivo tem em torno de 122 dias, salvo outro engano: 1.220 linhas. Estou 970 linhas atrasado (vezes os inúmeros semestres já cursados e que não convém contar para evitar ainda outro engano). Neste sentido chega em boa hora este Jornal da Filosofia (ainda que atrasado, pois a culpa deve ser do transporte público). Se o jornal não se equipara ao muito lido Jornal do ônibus tem, por isso mesmo, razões urgentes e de sobra para aparecer. Solitário leitor, não perca o bonde! Jornal da Filosofia, bons dias!

Junho de 2012

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