Brasil de Zé, João e Josué

Por Victor Fiori

A falta de consciência política dos brasileiros é, de fato, algo assombroso. O Zé vota no João porque este lhe promete um emprego melhor, mesmo sabendo que João é um perfeito bandido. Zé não percebe que João, ao roubar dinheiro público ou ao favorecer particulares em detrimento do bem comum, está prejudicando o próprio Zé (além de prejudicar a si mesmo…). Josué, amigo de Zé, conhece bem as consequências do voto de Zé. Porém, ao julgar que o amigo é livre para escolher desde o momento em que se deu por gente, Josué imagina que Zé está usando o seu voto como um escudo político para proteger as suas livres escolhas, e se põe a rir.
Será que Zé pôde escolher livremente o meio pelo qual ganharia a vida? Será que a educação recebida por Zé, patrocinada pelos “joãos”, lhe forneceu a autonomia necessária para decidir qual o melhor candidato ou proposta política para ele e para os que com ele convivem? Depois de degustar um delicioso Cabernet, cujas uvas foram colhidas pelas mãos dos filhos de Zé, a mando de João, Josué achou melhor conversar com o amigo:
– Zé, estive pensando… você acha que votar no João é uma boa?
– É claro! Se ele ganhar, vai me dar um emprego melhor, e meus filhos também terão seus empregos garantidos…
– Mas… você sabe que ele rouba dinheiro público, não sabe?
– Sim…
– Então! Será que os seus filhos e os amiguinhos deles estudarão numa boa escola se o dinheiro destinado a ela estiver no bolso do João? Será que nós teremos acesso a hospitais de qualidade se o João construir uma piscina com o nosso dinheiro?
– Eu acho que não, Josué… Mas não posso fazer nada, política é assim mesmo… Político não tem ética.
– É, é assim mesmo…
Depois dessa conversa desanimadora, Josué deixou de se interessar por política, afinal, era mais ético achar que Zé é um bobalhão e que nada iria mudar. No entanto, a conversa com Josué levou Zé a pensar melhor sobre seu voto. Ele reconheceu a importância da ação política de Josué, que colocou uma pulga atrás de sua orelha (e esta não funcionaria se estivesse fora de seu corpo). Agradecido, convida “zés” e “josués” a se manifestarem, democraticamente, contra os “joões”.

Agosto de 2012

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