Do Congresso

Coluna do CAF

Entre os dias 23 e 26 de agosto ocorrerá o XI Congresso dos Estudantes da USP, e desejamos, com este texto, chamar a atenção a sua importância. No entanto, nos recusamos a cair no tom militantesco afirmando que ele “estabelece uma plataforma de ação política para os próximos dois anos” ou que “é um momento de debates amplos e qualificados sobre as pautas históricas do movimento”. Ele foi inicialmente planejado de forma conturbada, com pouca preparação nos cursos e por parte dos centros acadêmicos. Foi aprovada a proposta do DCE com pouca possibilidade de discussão sobre, por exemplo, a data (três semanas depois das férias) e a estrutura de mesas (que não existiram no congresso anterior, havendo mais tempo para os grupos de discussão). Apesar disso, devemos trabalhar agora com o que temos e com o que podemos fazer disso.
Os dois temas centrais do congresso serão democracia na USP e movimento estudantil. No primeiro, estão concentradas tanto críticas à atuação da reitoria e do governo quanto propostas para uma verdadeira democratização da USP, passando pelo projeto de uma estatuinte. O congresso terá o papel de condensar opiniões e apontar as principais frentes de ação, de forma que possamos ser cada vez menos meramente reativos ao que nos acontece. A campanha por uma Comissão da Verdade da USP, por exemplo, deve ganhar ainda mais força nesse momento, se espalhando por mais cursos e campi. No entanto, as discussões sobre concepção de universidade tendem apenas a esboçar uma posição política comum aos estudantes, mas não significam um verdadeiro acordo de ação em unidade.
É nas discussões do segundo ponto que temos mais chance de marcarmos posição e expressar nosso descontentamento com o que vem acontecendo. No semestre passado, os problemas dos métodos do movimento estudantil estavam claros em falas de nossas assembleias e nos momentos de paralisações de aula. “Que direito eles têm de parar nossa aula?” “Qual é a legitimidade de uma assembleia?” “O estabelecimento de um quórum é suficiente para determinar quantas pessoas são necessárias para se representar um curso?” O congresso será um espaço decisivo porque nele se delibera sobre o estatuto do DCE e dos fóruns do movimento. São exemplos das questões mais polêmicas:
– Quórum das assembleias gerais;
– Duração da gestão de DCE (em outras palavras: a atual gestão, eleita em março, durará um ano, como reza o estatuto, ou haverá eleição no final desse ano?);
– Majoritariedade ou proporcionalidade da gestão de DCE; ou até existência de segundo turno na eleição para DCE;
É evidente que o congresso não é o único espaço de discussão dessas questões. Ou melhor, ele deveria ser, na verdade, um espaço de conclusão sobre essas questões que supostamente vêm sendo discutidas. Parar correr atrás de tempo perdido, organizaremos dois encontros sobre esses dois eixos do congresso, a fim de engajar mais estudantes na construção de uma chapa da Filosofia para o congresso.
A política na USP é muito problemática? Talvez fosse melhor usar o termo “política” entre aspas? Estamos abertos a essas colocações, mas acreditamos que, por pior que seja nossa situação, ainda há algo que pode ser mudado, mesmo que nosso campo de ação seja limitado. Pois se lembrem do que um velho sábio disse há alguns dias ou séculos: “O problema de quem não gosta de política é que, no fim, é governado por quem gosta demais”.

Agosto de 2012

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