Me perdi

por Ivan Nizer

Em algum lugar essa tarde, a noite passada, semana
passada, mês passado me perdi… enfim… não me lembro
bem ao certo… mas o fato é que me perdi.

Não me sinto, não me percebo, apenas tenho a convicção
de que me esqueci no caminho, de que alguma
coisa não está bem…

Me esqueci no meio do caminho que leva a lugar
nenhum, que leva ao outro lado da cidade, ao outro
lado da verdade, ao topo do morro onde eu quis subir
quando criança.

O que sobrou do meu eu ? Fotos ? Vozes apagadas ?
Nada ? Talvez…

Vagando pelas ruas escuras da opinião de quem me detesta
encontrei uma frase de amor pichada num muro
sem graça. Me aproximei, e era um muro comum, sem
tinta, sem força, sem fé. Não achei graça…

De fato, tudo deu errado… e talvez o errado seja certo,
e para as pessoas o certo seja tão bobo que não vale a
pena saber…

Não… não há nada além do que as sensações que
as pessoas podem me oferecer. O resto é dinheiro, é
tesão… é tudo isso e a avenida paulista inteira numa
lata de coca-cola.

Ser feliz é ter tudo e isso não valer a pena.

Me perdi: em algum lugar da Rua Augusta, da Praça
da Sé (que saudade daquela mendiga que sempre joga
um jornal molhado em mim! ), de São Roque-SP, de
Guapiara-SP, de Moscou. Me perdi bem antes de perceber
que existia um caminho…

Me perdi e fui guiado pelo Diabo: graças a Deus.

Agosto de 2012

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