Cartesianismo tropical

Editorial

Alto lá, caro(a) leitor(a)! Sim, você se encontra na FFLCH e este impresso lhe foi oferecido sem nenhuma forma de contrapartida. Isto, entretanto, não significa que se trate simplesmente de mais um informe, circular, panfleto pronto a oferecer a verdade última sobre o fim do calendário Maia, da luta de classes ou da carreira política de José Serra (ainda que esta última já seja praticamente um dado objetivo). Desse modo, tal impresso modestamente reivindica destino um tanto mais nobre do que aquele que costumamos oferecer aos anteriores. Seu nome, Discurso sem Método, parece ser fruto dos convulsivos anseios, nutridos pelos estudantes do curso de Filosofia, por algo que podemos chamar de um estranho e ainda informe (anti) cartesianismo tropical. Digo parece, pois, tendo tal epíteto emergido como vitorioso em uma acirrada disputa eleitoral (realizada em urna física e no site do CAF) dirigida, ironicamente, por preceitos e MÉTODO de cunho democratico,
talvez ainda seja cedo para afirmar a quais desejos e expectativas ele vem atender. Por outro lado, o que podemos dizer com certeza é que este impresso orgulha-se desde já de responder a intensa necessidade de comunicação interna e externa dos estudantes deste departamento, coisa que podemos verificar com as duas primeiras edições experimentais, ainda sob o título genérico de Jornal da Filosofia. Ele procurará desempenhar este papel da melhor maneira possível e como não poderia deixar de ser com uma estrutura organizativa horizontal e aberta a todos os interessados em colaborar com o seu desenvolvimento.

Buscando fazer jus a alcunha desfilam pelas páginas da presente edição artigos sobre conjuntura política, filosofia, resenhas de livros, crônicas, experimentações literárias, tudo isso acompanhado das excelentes ilustrações de Thiago Fonseca.

Começamos com a coluna do CAF, que, buscando enfrentar as agruras da distinção entre entidade e gestão, mostra o quão poderoso pode ser o GÊNIO MALIGNO da representação (estudantil). Enquanto isso, em sua empedernida batalha pelas instituições, André Botelho Scholz, oferece, por meio de uma demonstração mais quixotesca do que propriamente cartesiana, a PROVA ONTOLÓGICA DA EXISTÊNCIA DA… esfera pública. O Retrato Calado, de Salinas Fortes, vigorosamente resenhado por Michel Amary, se junta ao emblemático caso do grupo punk-feminista Pussy Riots, em uma estranha história da Rússia moderna aventada por André Paes Leme, para ilustrar a cínica MORAL PROVISÓRIA que determina a práxis de regimes autoritários aqui e lá/ontem e hoje. A “golpes de açougueiro lógico”, Gabriel Philipson descreve, com o simbólico título “Em volta, carne morta”, o espúrio e sofisticado necrológio a que se tem resumido a dissecação acadêmica da História da Filosofia. Talvez próxima a ele esteja a indagação de Lucas Nascimento: “Filosofia Oriental, por que não?” Uma pertinente discussão sobre o que a filosofia (acadêmica) é ou não é. Em aparente defesa dos critérios de CLAREZA E DISTINÇÃO, Igor CSC retoma o conhecido embate do físico Sokal com o nonsense que, segundo ele, dominaria os Cultural Studies e as  apropriações de teorias científicas realizadas pela French Theory. Igor contribui ainda com a tradução de uma brilhante reflexão sobre o valor da poesia na construção do sentido de uma vida humana. “O Fogo da Vida” é também o último texto escrito pelo filósofo norte-americano Richard Rorty. Enfim, assunto para muitas MEDITAÇÕES METAFÍSICAS. Entre os  inclassificáveis, Lucas Paolo nos propõe um “Exercício de Linguagem” quase tão improvável quanto os contos pós-beckett-dostoievski-drummondianos de Caio Sarack. E restam ainda poesias, crônicas, além da já clássica cruzadinha filosófica, sempre elaborada por Inauê Taiguara.

Por fim, resta informar que a periodicidade deste impresso, ou melhor, do Discurso sem Método, passará a ser bimensal. A adoção de tal ínterim busca garantir a este periódico, que se pretende o veículo de (diferentes) ideias entre os estudantes de filosofia, uma melhor qualidade. Mais uma vez agradecemos a todos que têm colaborado com este Jornal e informamos que para o início do período letivo do ano que vem pretendemos fazer uma edição especial, portanto, enviem seus textos para …, pois quanto maior a participação, mais poderemos conhecer as nuances de nosso curso.

Bom fim de semestre a todos.

Outubro/novembro de 2012

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