Manual de como envenenar a tinta de uma caneta

Por Alberto Sartorelli

Como fazer uma bela poesia
Quando não se fala de nada?
O silêncio é o soberano das respostas,
Da palavra na garganta estagnada.

Cheio de aforismos, o texto continua,
Flui como água na corrente exaltada.
Não para, não recua,
O escrito é mais mortífero que a espada.

Não falo do método dos parnasianos,
Estes, meros homens sem planos.
O manual é de como envenenar a tinta,
Prática funesta e assaz distinta.

Nos versos frios vão-se os anos,
E com eles, o despojo dos enganos.
O novo sangue desfruta e pinta,
Rompe o vidro antes que o inimigo sinta.

O sangue novo, da linhagem de Rimbaud,
O mais espirituoso dos poetas.
Riso falso não vale a pena, diz o Pierrô,
A poesia é o vinho das grandes festas.

Sem jograis, nem alentos delirantes,
Meros palhaços no mundo dissidentes.
A estirpe suja em movimentos dissonantes,
O veneno mais mortal é o das serpentes.

 

Outubro/novembro de 2012

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