Ano letivo e ano de luta

Coluna do CAF

Olá a todos,
Nós da atual gestão do CAF, Cafuzo, decidimos utilizar este espaço reservado à gestão no periódico do nosso curso para nos apresentar, relembrar alguma de nossas propostas para este ano e também refletir sobre algumas pautas que estão em voga. De modo que este texto é destinado a calouros e veteranos. Oficialmente, a atual gestão é composta por alunos do 2º, 3º, 4º e 5º anos do curso, além de diversas outras pessoas que, apesar de não estarem formalmente inscritas na gestão, são participantes ativos do CAF e ajudam a geri-lo. Falamos aqui, portanto, em nome de uma gestão expandida. Ela não é filiada a nenhum partido, apesar de alguns membros serem mais próximos de uma ou outra linha política. Acreditamos que essa diversidade é saudável e permite ao CAF, enquanto entidade, um posicionamento mais crítico no contexto da USP.
Antes de seguir, gostaríamos de destacar a diferença existente entre gestão e entidade. Por gestão, entendemos a chapa eleita pelos estudantes do curso para executar as atividades que competem ao CA, como a organização de eventos, debates e festas, mediação entre o corpo dos estudantes e o departamento, entre outras coisas. Já quando falamos no CAF como “entidade”, estamos falando em um conceito bem mais amplo, que engloba todos e todas as estudantes do curso. Consideramos temerário o que vemos acontecer em outros CAs, onde gestões se confundem com a entidade e acabam por usar a entidade para promover e fortalecer o próprio coletivo – ou como dizemos, aparelham a entidade. Isto leva muitos estudantes a se afastarem do movimento estudantil por não encontrarem no CA – que deveria ser a instância mais próxima do estudante – possibilidades de debates críticos. Sendo assim, reconhecemos que o CAF é muito mais amplo que a gestão e a excede: todos os estudantes do curso têm direito a voz e voto nas reuniões ampliadas do CAF, as quais acontecem todas as segundas-feiras, das 18h às 19h30, ordinariamente na sala do CAF, no Espaço Verde. Acreditamos que somente com a participação ativa dos estudantes é que o CAF poderá corresponder às demandas do curso e dos estudantes – em suma, não basta esperar tudo daqueles que estão na gestão.
Mas a gestão tem o seu papel e as suas responsabilidades. O que nos leva a apresentar algumas de nossas propostas para este ano. Sabemos que nosso curso é plural do ponto de vista dos interesses dos alunos e que há uma dificuldade de reunir em um ponto ou em uma atividade tal amálgama. Acreditamos que tal dificuldade é uma das causas da pouca participação nas atividades promovidas pelo CAF. Porém, a esta se somam no mínimo outras duas causas: a dificuldade de comunicação e a fragmentação das turmas, que após o primeiro ano seguem caminhos diversos, escolhendo matérias em dias diferentes – o que por vezes dificulta o aprofundamento de algumas questões comuns, mesmo entre colegas próximos.

Quanto às propostas, não há nada de genial. A principal ideia é que a gestão incentive e apoie tanto quanto possível iniciativas tais como a que se concretizou neste jornal, ou seja, a gestão se propõe a fomentar a criação e a manutenção de comissões. Grupos que queiram debater política, manter um cineclube ou realizar saraus podem encontrar no CAF o apoio necessário para a concretização de suas ideias. Acreditamos que isto pode em parte ajudar a resolver a primeira dificuldade que citamos acima, a de reunir e/ou contemplar os diversos interesses dos alunos do curso.

Sobre a questão da comunicação entre os estudantes, fisicamente utilizaremos bastante os murais: tanto o Mural do Corredor quanto o das salas – já reparou que em todas as salas existem murais?! Virtualmente utilizamos uma lista de email (para ser incluído nesta lista, envie um email para uspcaf@gmail.com), o site do CAF (www.fflch.usp.br/df/caf) no qual são publicadas as atas das reuniões, além de contar com o auxílio de um perfil do CAF no Facebook o perfil chama-se “CAF USP”).

Quanto ao terceiro ponto, a fragmentação das turmas, nos parece que uma das poucas opções para enfrentar este problema é promover festas, ou melhor dizendo, livres associações de pessoas em espaços públicos, conforme o 5º artigo da Constituição brasileira, e promover assim uma cultura de confraternização extraclasse. Estas propostas visam propiciar aos estudantes a possibilidade de vivenciarem o curso de filosofia como um todo, em suas inúmeras facetas: acadêmica, social, cultural e política.

Por fim, existem debates que serão feitos neste semestre e neste ano e que valem ser mencionados desde já.

Primeiramente, vocês provavelmente já sabem que houve uma ocupação a reitoria em 2011 e que os 72 estudantes e funcionários presos durante a reintegração de posse foram, agora em fevereiro de 2013, denunciados pelo Ministério Público por diversos crimes, entre eles formação de quadrilha, além de terem sido punidos internamente com até 15 dias de suspensão. Consideramos que esses estudantes não cometeram crimes, pois faziam uma manifestação política, por isso nos posicionamos contra os processos tanto no nível institucional quanto no político. Fica patente também que o tratamento dado à questão é sintoma da atual forma como a reitoria lida com problemas internos, autoritária e punitivamente, valendo-se sempre de meios legais para defender e implementar um projeto de universidade mais focado na ascensão nos rankings e no favorecimento a fundações do que nos interessas da população. A manifestação política dos processados opunha-se a esse projeto, por exemplo, na medida em que defendia maior presença da população no campus (contra as restrições atuais) e questionava, a partir da USP, a função da Polícia Militar.

Além disso, o governo do estado de São Paulo, em conjunto com o Cruesp (Conselho de reitores das universidades estaduais paulistas), lançou o Projeto de Inclusão por Mérito (PIMESP) para as universidades, que pode ser aprovado ainda esse semestre. Somos favoráveis às cotas sociais e raciais e, portanto, contra o PIMESP, uma vez que ele não significa a adoção real de cotas, e busca “incluir” negros, pardos e indígenas através de um critério distorcido de mérito, criando um curso especial para os estudantes cotistas, a ser realizado a distância por 2 anos, oferecido pelo Instituto Comunitário de Ensino Superior (ICES) – Instituto que seria criado para este fim – em parceria com a Univesp, antes de conceder a entrada nas universidades. Além disso, a concessão da vaga ficaria condicionada a um aproveitamento de 70% no tal curso à distância. Ainda, não podemos deixar de observar as disciplinas que seriam oferecidas pelo ICES no curso em questão. Entre elas, incluídas por sinal como matérias de Ciências Humanas, estão “Profissionalização, Inovação e Empreendendorismo”, “Liderança e trabalho em equipe”, entre outras de caráter exclusivamente mercadológico e que em nada ajudam a preencher as lacunas deixadas pelo Ensino Médio, posto que não há na grade curricular sequer ensino de geografia ou história. A nosso ver, trata-se de um projeto racista e segregador. Enfim, o próprio reitor da USP, João Grandino Rodas, destacou a “meritocracia como premissa principal do programa.”

Vale mencionar que o movimento negro discute há anos um projeto de cotas raciais, visando à inclusão de negros, pardos e indígenas nas universidades públicas, e esse movimento também se posiciona contra o PIMESP.

Ambas as questões já estão sendo tratadas em diversos fóruns do movimento estudantil, e a gestão do CAF buscará realizar debates e outras atividades para o aprofundamento dessas discussões, bem como de todas as outras discussões sobre questões que digam respeito, direta ou indiretamente, à comunidade universitária. Ressaltamos que estamos sempre abertos ao diálogo, às críticas e sugestões. Bom ano letivo e de luta a todos nós.

Março/abril de 2013

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