Pobres de transversal

Por Pedro Gabriel

ilustração pobres de transvesal

Retilíneas almas que se deslocam sobre o escoro da régua. Emparedadas por muros brancos e invisíveis a quem nunca se desviou do ideal de culminação, se encontram em abundância hoje, em tempos de encurtamento dos modos de sublimação. Pois, constantemente expostos as fulgurantes telas do esquecimento, caem de teia em teia a apertar o nó que lhes prende o cabresto e lhes apruma a tapa nos olhos. Os freios são utilizados com frequência e assim cria-se a perfeita montaria, obediente e inteligente naquilo que interessa; nos outros aspectos, porém, verdadeiros asnos. Dizer que não têm culpa esses seres é o mesmo que concebê-los incapazes de si, eternas crianças ansiosas de serem servidas e postas em seus devidos lugares. O que de fato me tenta as veias, mas infelizmente me nega os cálculos. Sou de opinião justa de que são todos capazes, me mantém vivo esta, por favor não faça de modo a me provar o contrário. Faltam-lhes apenas compasso e liberdade, um lhes ensinaria a beleza da curva, o outro lhes demonstraria a vertigem de suas paragens. E então todos, até os mais teimosos recuariam frente ao caminho direto e se perderiam por querer nos infinitos destinos do desconhecido.

Junho/julho de 2013

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: