Correspondências – Charles Baudelaire

Tradução por Alberto Sartorelli

A natureza é um templo onde vivos pilares
Deixam às vezes fora confusos vocábulos;
O homem passa através de bosques de símbolos
Que ali o observam com olhares familiares.

Como longos ecos que longe se confundem
Em uma tenebrosa e profunda unidade,
Que é vasta como a noite e como a claridade,
Os perfumes, as cores e os sons se respondem.

Há aromas frescos como a carne dos petizes,
Doces como oboés, verdes como a campina,
– E outros, corrompidos, ricos e felizes,

Tendo a expansão de tudo que não termina,
Como âmbar, almíscar, goma e incenso fluídos,
Cantando os transportes do espírito e sentidos.

Correspondances

La Nature est un temple où de vivants piliers
Laissent parfois sortir de confuses paroles;
L’homme y passe à travers des forêts de symboles
Qui l’observent avec des regards familiers.

Comme de longs échos qui de loin se confondent
Dans une ténébreuse et profonde unité,
Vaste comme la nuit et comme la clarté,
Les parfums, les couleurs et les sons se répondent.

II est des parfums frais comme des chairs d’enfants,
Doux comme les hautbois, verts comme les prairies,
— Et d’autres, corrompus, riches et triomphants,

Ayant l’expansion des choses infinies,
Comme l’ambre, le musc, le benjoin et l’encens,
Qui chantent les transports de l’esprit et des sens.

Setembro/outubro de 2013

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