Percepção e vivência

Editorial

ilustração coluna caf balanço gestão rodas

A serviço da dúvida e da crítica o Discurso sem Método está mais uma vez nos corredores e nas bocas.
A coluna do CAF apresenta um balanço da gestão de João Grandino Rodas, evidenciando os marcos desse período para a USP, e pergunta: pode esse reitor conduzir legitimamente um processo de ‘democratização’ das eleições para os cargos de direção da USP, tal como foi apresentado genericamente? Em seguida, temos uma contribuição do coletivo Lélia Gonzales que pontua a importância de percebermos o machismo presente nas relações pessoais, inclusive entre pessoas próximas, como família, amigos e namorados. Só mediante essa percepção poderemos construir uma vivência plena, livre de preconceitos que muitas vezes passam despercebidos como naturais.
Apesar de a eleição para reitor ser um dos principais temas deste semestre, outros mais profundos continuam na ordem do dia da universidade; entre eles está o da repressão, intensificada na gestão Rodas, mas que se estende para além dos muros da universidade, por exemplo, na ação da PM face às manifestações de junho, ou na ação cotidiana desta instituição nas periferias.
Qual a palavra que, uma vez suprimida, pode alterar significativamente a destinação das verbas para a educação? E o quanto este debate nos diz respeito? São perguntas que surgem do interessante texto Sociedade, Universidade e a tão desprezada educação. Ser estudante é a condição que nos une, mas como se compreende o estudante? A segunda parte do Rascunho de uma ontologia do estudante persegue a resposta a essa pergunta, explorando a tensão entre velho e novo em dois autores brasileiros: Mario de Andrade e Nelson Rodrigues.
O que ocorreu em junho, além de uma vitória popular que impediu o aumento da passagem do transporte público, foi a apresentação para o grande público de novas organizações políticas defendendo interesses comuns, como por exemplo o Movimento Passe-Livre. Porém, junto a este ‘surgimento’ verificamos também uma ‘onda’ de rechaço aos partidos e organizações sindicais. Será que tal rechaço se justifica? Não seria por demais precipitada uma comparação direta entre formas de organização com meios e fins diferentes? Estas são algumas dúvidas que o texto Pensar a organização: lições de junho coloca em evidência.
O texto Jornalismos intelectual e engajado apresenta o exemplo de Albert Camus que demonstra que a atividade de noticiar pode, e inclusive deve, ser engajada. Afinal não tomar um lado é contribuir para manter o status quo. Em Pós-ideologia e cinema somos convidados a refletir sobre como a empresa Globo Filmes pode ser considerada o exemplo máximo da indústria cultural no Brasil. Porém, o fato de uma empresa que se fortaleceu com o golpe de 64 hoje produzir filmes ‘contra’ a ditadura seria suficiente para afirmar o tempo da pós-ideologia?
Em Contemplando o fim: as profecias de John N. Gray podemos apreciar a evolução e a aceitação do pensamento deste filósofo britânico na última década, a partir de suas publicações Straw Dogs (2002) e The Silence of Animals (2013).
Nesta edição somos brindados com a tradução do texto de Wolfi Landstreicher Um relato equilibrado do mundo, que lança um olhar crítico sobre a visão de mundo científica. De acordo com o texto, longe de ser neutra: “A ciência moderna nunca foi destinada a proporcionar o conhecimento real do mundo – que teria exigido a imersão no mundo, não a separação dele – mas sim a impor uma perspectiva particular sobre o universo que iria transformá-lo em uma máquina útil à classe dominante”.
A Luta de classes nas estrelas continua nesta edição. No episódio II o comitê formado por Len Kenobin, que reúne entre outros Jean-Luke Skytre e CHÊ-Bacca, iniciam o resgate da Princesa Plebeia, confinada na sede do Imperialismo Galático. Na fuga, porém, nossos heróis irão ter de enfrentar o poderoso Darth Cola, que revelará sua identidade secreta.
No conto desta edição temos um diálogo kafkiano que esclarece que ninguém é responsável pelo destino de um prisioneiro quando este é sentenciado a enfrentar A máquina. Em O que há de belo nas madrugadas de inverno encontramos o relato do que muitos de nós fazemos para nos esquentarmos naquelas noites frias, mas sob uma ótica diferente: ao invés de crer que o calor venha da coberta, descobre-se sua origem no coberto.
Na seção de poesias temos a honra de oferecer aos nossos leitores a tradução de três poesias, duas de Georg Trakl e uma de Charles Baudelaire, todas acompanhadas do texto original. Além dessa novidade temos, como sempre, uma grande variedade de poesias enviadas pelo espírito poético que habita grande parte dos estudantes de filosofia.

Setembro/outubro de 2013

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