Crise do transporte na Omniversidade de São Paulo

Por Leandro Lemuria

ilustração crise no transporte

Os circulares na Omniversidade de São Paulo têm estado cada vez mais lotados, os únicos horários em que é possível pegar um ônibus vazio, são os horários da madrugada. Mas como de madrugada os circulares são extremamente escassos, às vezes demorando mais de uma hora para passar, prefiro voltar para casa a pé.

Outro dia estava voltando para casa de madrugada a pé e, ao chegar no P1, o portãozinho de pedestre que fica na calçada estava fechado com uma corrente. Um guarda omniversitário pediu para eu atravessar a rua e sair pela meio da guarita. “Tá zuado esse portão” me disse ele num tom imponente e ao mesmo tempo meio de escárnio, parecia estar me julgando pois deve ter percebido o estado em que eu me encontrava.

A hora em que estava atravessando a rua, vi que o guarda estava retirando um cone, quando olhei para trás, vi que estava vindo um circular numa velocidade muito alta, de madrugada os motoristas de ônibus costumam sentar o pé no acelerador. Rapidamente o ônibus estava vindo em minha direção e, eu, devido ao meu estado fiquei em duvida se eu corria para esquerda ou para a direita, corri um pouco para direita mas depois mudei de ideia e corri para a esquerda. Escapei do ônibus por um triz, senti o vento do ônibus passando no meu ombro intensamente. O guarda olhou assustado para mim pois viu a situação, mas não falou nada.

Saí do campus e continuei andando na rua quando me veio uma sensação horrível, comecei a imaginar o ônibus batendo naquela velocidade em meu ombro, e comecei a imaginar como seria a sensação de sentir a pancada, a sensação dos meus ossos quebrando e do meu corpo caindo no chão inconsciente e, essa situação começou a aparecer muito viva na minha mente, como se tivesse realmente acontecido.

Comecei a pensar que talvez eu tivesse sido realmente atropelado e estava morto andando como um espirito, olhei para trás para ver se meu corpo estava lá estraçalhado  no chão aonde passou o ônibus, mas não havia nenhum corpo lá, mesmo assim a sensação ruim de ter sido atropelado e estar morto não passou.

Havia algo muito estranho, a rua estava deserta, ainda sentia aquela sensação ruim de morte mas continuei andando mesmo assim. Lembrei do impacto do ônibus em meu ombro, aquele que supostamente não havia ocorrido, ou será que havia? Comecei a olhar para meu corpo enquanto andava e comecei a me questionar se eu estava sonhando. Às vezes, durante meus sonhos, eu percebo que estou sonhando, mas quando isso acontece, fico em duvida se estou sonhando mesmo ou se estou acordado. Ao olhar para meu corpo andando me indaguei “será que esse é meu corpo mesmo, ou é meu corpo de sonho?”

Andei mais um pouco e vi uns pedreiros trabalhando numa obra na rua, um deles olhou para mim, desejei “boa noite” para ele e ele me respondeu com cara de tacho pois ele estava trabalhando e eu estava andando naquele estado. Bom, como ele me respondeu, ficou claro para mim que eu não havia morrido, mas ainda estava em duvida se eu estava sonhando ou não.

E esse também é um motivo pelo qual eu prefiro voltar para casa a pé de madrugada ao invés de esperar o circular.

 

Marõ/abril/maio de 2014

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: