Profanação – André Breton

Tradução por Diego Rosa e Larissa Barcellos (Publicada originalmente na revista Sopro nº 36) O jogo de xadrez é o corpo-a-corpo de dois labirintos. Uma fraqueza constitutiva do jogo de xadrez: ele não se presta à adivinhação (ausência de uma enxadromancia). A igreja cristã jamais proscreveu o xadrez. Ela proscreveu os dados e as cartas. Para … Continue lendo

Jornal da Filosofia nº 0

nosso Pai nosso

Por Oiák Karas Pai nosso que estais no céu revisto seja teu rosto responde às cruzes feitas com a mão assim na terra como no mar deitado em terra. Libere o perdão às nossas cicatrizes assim como nós esquecemos aquelas que o senhor nos tem feito. Aproxima-nos do rosto da mulher nua; visto que o … Continue lendo

Esfriou mas a gente esquenta

Por Xe Pó Sabe, minha casa está limpa, e à noite vou beber um vinho que hoje amanheceu friozinho e eu quero me sentir supimpa Também vou procurar teu carinho cada vez que encher minha Taça Beijarei com ternura o vidro e o líquido seguirá o seu caminho Natural que é para dentro d’Eu, como … Continue lendo

Rasgando seda para Guinga

Por Lucas Braga Rasgando Seda é o novo disco de Guinga. Gravado com o Quinteto Villa-lobos, o registro celebra o cinqüentenário do maior conjunto de câmara brasileiro, executando um repertório exclusivo de nosso compositor vivo mais importante – e desconhecido ao grande público. Guinga permaneceu por muitos anos como uma face oculta da música brasileira, prestigiado na coxia, mas sempre longe … Continue lendo

Meditação sobre a bomba – Peter Sloterdjik

Tradução por Fernando Sepe (original: Die Kritik der zynischen) Aqui nós temos que pensar adiante – assumindo a fundo que a extremidade e o meio correspondem mais profundamente um ao outro do que revelado a um primeiro olhar. Na superfície, o estilo de vida dos punks e do establishment parecem ser absolutamente irreconciliáveis. Mas no fundo eles são bem próximos. … Continue lendo

Amar a mulher, amar o desejo

Por André Paes Leme Notas sobre literatura e psicanálise “La Femme n’existe pas.” De todas as frases de efeito surgidas nos Seminários de Lacan, essa é certamente a mais controvertida (e enigmática!). São inúmeros os sentidos que se poderia atribuir a tal afirmação, desde a bizarra acusação de misoginia até a filiação a um pensamento próprio ao estatuto do feminino, … Continue lendo

Sinal fechado e outras interrogações

Por Joãozinho Falassério Prestação de serviço: o Jornal do ônibus gentilmente nos informa que se inverteu a razão entre verde e vermelho do  semáforo de pedestres. Segundo o Programa de proteção ao pedestre, antes o bonequinho ficava verde por 10 segundos e por 5 vermelho piscando, agora são 5 verde e 10 vermelho piscando. Continuam 15 segundos no total, continuamos só podendo atravessar quando verde … Continue lendo

Beleza, nudez e erotismo

Por André Paes Leme “A roupa é um meio de se atingir a nudez”. Nenhuma metáfora se aplicaria melhor a essa asserção de Georges Bataille do que a cena de abertura de Les Innocents Aux Main Sales, de Claude Chabrol, em que uma “pipa” cai sobre o derrière da divinal Romy Schneider que se encontra deitada nua no gramado. Por … Continue lendo

Democracia, controle social e repressão

Por Mariana Luppi Costuma-se associar às ideias de ditadura e autoritarismo certas formas fixas, como a censura e a ausência de voto popular. Nesse sentido, é uma contradição absurda considerar um Estado como o brasileiro ditatorial, afinal, nenhuma dessas formas existe. Ainda assim, é preciso questionar se essas formas são obrigatórias para a expressão de um conteúdo autoritário. Embora o Brasil … Continue lendo