Conseqüência do dia (Partes A1-A3)

Por Y. K.     C.D. A1. O terreno desconhecido ao qual tantos já investigaram, ganha nome forma e ciência. Seu desconhecimento transforma-se a cada passo do andarilho, porém, seu conhecimento afirma-se enquanto este continuar de pé. A sombra das nuvens que se associam em ideias condensadas opera a solução para o calor. O braço … Continue lendo

Recording Eye

Por Arnaldo Pagano    Vale do Silício, 14 de outubro de um ano não muito distante.   – E então, o que me diz? Gostou? Conseguimos lançar ainda neste Natal? – Não estou entendendo, Howard. Onde está o produto? – Bem na sua frente, Stephen. – Isso é algum tipo de brincadeira? – Não brincaria … Continue lendo

Bricolagem I – X eminente professorx de filosofia descobre-se mortal como Sócrates

Por André Braga     X eminente professorx de filosofia encontrava-se sentado numa larga poltrona, num quarto de dormir; e era um crepúsculo magnífico, que deixava entrar pela janela o ar putrefato do rio. Elx olhava mudo para o céu, que se tornava cada vez mais azul, as sombras violeta do vale, as cristas ainda … Continue lendo

A nudez castigada do sujeito masculino: lancinho do tempo histórico

Por Caio Sarack A reflexão vem pulsante, assim como a força explosiva que nos espreita na vida. Alguns autores dirão que Turma do Pagode é exemplo de diluição (verve poundiana), mas cá venho mostrar “que Lancinho”, produção agora de 2012, recente, mas não menos colada à realidade, é uma denúncia – de inspiração foucaultiana – … Continue lendo

Onze poetas

Por Ari Marinho Bueno “O essencial da arte é exprimir; o que se exprime não interessa”, Fernando Pessoa   I O primeiro poeta estava escondido atrás de uma grande porta branca, e fazia de seu batente uma expectativa de redenção; com seu corpo defenderia o corpo vivo (eram um só, assim cria) dos outros dez. Uma … Continue lendo

A Máquina

Por Gabriel Bichir Once meek, and in a perilous path The just man kept his course along The vale of death (William Blake) Encontravam-se ambos imóveis. O guarda, em plena observância de seu dever, permanecia ereto ao lado da cela, privando-se de qualquer tipo de distração. Já era madrugada. Ele imaginava que a tal hora … Continue lendo

O cotidiano e a “Ética” de Espinosa

Por Fernando Rondelli “No mesmo sentido em que se diz que Deus é causa de si mesmo, também se deve dizer que é causa de todas as coisas.” Leio e releio a afirmação. Volto ao início da Ética, às anotações de aula. Já estou virando a cabeça diante do texto, como um daqueles cachorros curiosos que parecem não entender … Continue lendo

Xaveco insano

Por Fernanda Reis – Você não pode perguntar essas coisas, a pessoa só pode falar isso se achar que deve – entendeu? – Acabe com minha insônia, por favor. – Ok, eu cheguei perto… mas me retirei quando vi o perigo: eu impedi. – Então não me amou… chegou perto, mas não me amou, é … Continue lendo

O condenado

Por Gabriel Bichir “Dize-me”, diz o homem, “se todos desejam entrar na lei, como se explica que em tantos anos ninguém, além de mim, tenha pretendido fazê-lo?” O guarda percebe que o homem está já às portas da morte, de modo que para alcançar o seu ouvido moribundo ruge sobre ele: “Ninguém senão tu podia … Continue lendo

Pobres de transversal

Por Pedro Gabriel Retilíneas almas que se deslocam sobre o escoro da régua. Emparedadas por muros brancos e invisíveis a quem nunca se desviou do ideal de culminação, se encontram em abundância hoje, em tempos de encurtamento dos modos de sublimação. Pois, constantemente expostos as fulgurantes telas do esquecimento, caem de teia em teia a apertar o nó que lhes prende … Continue lendo